Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso

“Tratar a pessoa e não apenas o cancro” foi a ideia que marcou Tertúlia “Unidos nos Desafios, Únicos nas Vitórias”
publicado a 27 de fevereiro de 2026

A realização da tertúlia “Unidos nos Desafios, Únicos nas Vitórias”, dedicada ao Cancro, um tema de grande relevância para a comunidade, reuniu no Hotel Rural Maria da Fonte um elevado número de pessoas vindas dos mais variados setores.
A participação superou as expectativas e juntou, numa conversa aberta, profissionais de saúde, representantes de instituições e associações de doentes, com o objetivo de refletir sobre o cancro e os desafios associados ao seu tratamento.

Fátima Moreira, Vice-Presidente e Vereadora da Saúde do Município da Póvoa de Lanhoso, deu início à sessão, agradecendo a presença e o envolvimento de todos os participantes. Na sua intervenção, referiu que esta iniciativa surge no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Cancro e de outras ações às quais o Município se tem associado, como a angariação de fundos e a caminhada solidária.
As alunas do Curso de Técnico Auxiliar de Saúde do Ensino Profissional da Escola Secundária apresentaram uma performance que introduziu simbolicamente a temática em debate.

A primeira intervenção esteve a cargo de Júlia Amorim, médica oncologista da Unidade Local de Saúde de Braga, que destacou a importância de centrar os cuidados não apenas na doença, mas sobretudo na pessoa, sublinhando igualmente o valor do diagnóstico atempado.
Ivo Ribeiro, enfermeiro especialista em cuidados paliativos, reforçou a necessidade de privilegiar o cuidar, mais do que apenas o curar, assegurando o prolongamento do bem-estar do doente. “Cuidados paliativos não são ajudar a morrer melhor, mas sim ajudar a pessoa a viver melhor”, afirmou.
Também Cristiana Lopes, psicóloga, corroborou esta mudança de paradigma, defendendo que é crucial fazer a diferença na vida das pessoas, garantindo-lhes a melhor qualidade de vida possível.

Da Delegação de Braga da Liga Portuguesa Contra o Cancro intervieram Diogo Menezes, psicólogo, Isabel Oliveira, técnica superior de Educação Social, e Ana Moura, sobrevivente com experiência em voluntariado hospitalar.
A Associação Rosa Vida esteve representada pelo seu presidente, Paulo Morais, e por Paula Rodrigues, sobrevivente. Na sua intervenção, foi destacada a importância de programas específicos de reabilitação funcional para doentes oncológicos.

O Município promoveu, assim, uma reflexão plural e integrada sobre os cuidados oncológicos, com o objetivo de consciencializar a comunidade para a importância de repensar o tratamento do cancro, colocando as pessoas no centro dos cuidados. A articulação entre tratamentos físicos e acompanhamento psicológico é cada vez mais o caminho a trilhar.

Os testemunhos partilhados por técnicos e sobreviventes permitiram aprofundar o conhecimento e contribuíram para uma compreensão mais esclarecida, humana e próxima desta realidade.

No encerramento, a responsável do executivo povoense sublinhou que “estas são reflexões profundas, mas também podem ser tratadas em ambientes mais leves e descontraídos. Aqui falamos de forma aberta, mas também muito positiva, daquilo que é preciso fazer. É verdade que muito já foi feito, mas também é verdade que ainda há muito por fazer”.