– o Caminho Português de Santiago Leon de Rosmithal esteve em destaque
No passado sábado, dia 17 de janeiro, o Theatro Club da Póvoa de Lanhoso acolheu uma sessão dedicada às origens medievais dos Caminhos de Santiago, que contou com a presença de Joel Cleto, arqueólogo e historiador amplamente reconhecido pelo seu trabalho de investigação e pelos programas televisivos de divulgação do património histórico português. Esta sessão, em que o Caminho Português de Santiago Leon de Rosmithal foi tema central, teve uma excelente adesão do público, que esgotou a capacidade da sala do Theatro Club.
A abertura da iniciativa esteve a cargo de Fátima Moreira, Vice-Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso e Vereadora da Cultura, que agradeceu a presença de Joel Cleto e, na sua intervenção, fez um ponto de situação relativamente ao Caminho Português de Santiago Leon de Rosmithal, destacando as novas ações que o consórcio responsável pretende implementar com vista à valorização deste itinerário jacobeu.
Fátima Moreira enalteceu ainda o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Município da Póvoa de Lanhoso na afirmação deste novo Caminho de Santiago, sublinhando a liderança técnica do projeto, assegurada por Orlando Fernandes e Francisco Machado. Ambos apresentaram, de forma sucinta, as principais características deste itinerário jacobeu aos presentes. Desde a apresentação oficial do projeto, em março de 2024, já foram contabilizados 211 peregrinos. Antes do final da intervenção, os participantes tiveram ainda oportunidade de realizar uma viagem virtual pelos 260 quilómetros que compõem este percurso.
Joel Cleto começou por fazer uma breve contextualização histórica sobre a vida de Santiago e a sua relação com a Gallaecia, antiga província romana no noroeste da Península Ibérica. Os presentes nesta sessão também ficaram a saber como é que a descoberta do túmulo de Santiago, já no séc. IX, despertou o interesse do próprio rei das Astúrias, Afonso II, que mandou edificar uma pequena igreja. Desde logo, o próprio rei Afonso II peregrinou até ao túmulo para estar próximo do corpo do Apóstolo que privou de perto com Jesus. Estavam criadas, a partir deste momento, as condições para assistirmos a um elevado fluxo de pessoas, de vários estratos sociais, em direção ao túmulo de Santiago para o venerarem e pedirem a salvação dos seus pecados, criando uma enorme e complexa rede de caminhos em direção à Praça do Obradoiro.
O historiador destacou também que a figura de Santiago nem sempre esteve exclusivamente associada ao contexto religioso. Em plena Idade Média, passou a ser utilizada em contextos militares, surgindo representada sobre um cavalo a dominar um mouro, imagem que deu origem à designação de Santiago “Matamouros”.
Na parte final da sua intervenção, Joel Cleto abordou as dificuldades enfrentadas pelos peregrinos medievais para alcançarem os seus objetivos religiosos, estabelecendo uma comparação com a realidade atual dos Caminhos de Santiago.
Nesta sessão houve ainda oportunidade para lançar aos/às amantes das peregrinações o desafio de se associarem a uma peregrinação por etapas que a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso vai levar a efeito, cujos detalhes serão divulgados oportunamente.